Universidade cria cão-guia robótico que fala, explica rotas e descreve ambientes

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Pesquisadores da Universidade de Binghamton, nos Estados Unidos, desenvolveram um robô quadrúpede equipado com GPT-4 capaz de ajudar pessoas com deficiência visual de uma forma muito mais avançada do que os tradicionais sistemas de navegação. Além de desviar de obstáculos, o robô conversa com o usuário, explica rotas e descreve o ambiente em tempo real durante o percurso.

Hoje, um cão-guia convencional precisa passar por meses de treinamento intenso para aprender cerca de 20 comandos. O processo é caro, demorado e pode levar anos até que o animal esteja pronto para auxiliar uma pessoa. Mesmo assim, o cão não consegue explicar o que existe ao redor, informar o que está à frente ou estimar o tempo até o destino.

O novo robô faz tudo isso — e ainda mantém uma conversa com o usuário.

A tecnologia foi apresentada no artigo científico “From Woofs to Words: Towards Intelligent Robotic Guide Dogs with Verbal Communication”, durante a Conferência Anual de Inteligência Artificial da AAAI 2026, realizada em Singapura.

O sistema foi desenvolvido pelo professor Shiqi Zhang e sua equipe da Escola de Computação da Universidade de Binghamton, em Nova York. O diferencial do projeto está no uso de grandes modelos de linguagem, como o GPT-4, para criar uma comunicação verbal natural entre o robô e a pessoa com deficiência visual.

Antes mesmo de iniciar o trajeto, o robô consegue apresentar opções de rotas e informar o tempo estimado da caminhada. Durante o percurso, ele descreve o ambiente ao redor, alerta sobre obstáculos e informa detalhes importantes do caminho em tempo real.

Segundo os pesquisadores, isso aumenta a percepção espacial e oferece mais segurança e autonomia para pessoas cegas ou com baixa visão.

Diferente de um GPS comum, o sistema permite uma comunicação em duas vias. O usuário não apenas recebe comandos, mas também pode fazer perguntas, pedir mudanças de rota e conversar naturalmente com o robô.

Nos testes realizados em um grande escritório com várias salas, sete participantes cegos utilizaram o sistema para navegar pelo ambiente. O robô perguntava o destino desejado, apresentava rotas disponíveis e guiava os usuários enquanto descrevia tudo ao redor.

O desempenho chamou atenção: o sistema identificou corretamente os destinos em 94,8% das vezes, mesmo quando os comandos de voz eram distorcidos. Os participantes deram nota 4,83 de 5 para utilidade e 4,50 para facilidade de comunicação.

A reação dos voluntários também foi positiva. Segundo Zhang, os participantes ficaram empolgados com o potencial da tecnologia e demonstraram esperança de ver o sistema funcionando no dia a dia.

A criação do robô busca resolver um problema real. Atualmente, apenas cerca de 2% das pessoas com deficiência visual nos Estados Unidos utilizam cães-guia, principalmente pela escassez desses animais. O treinamento pode levar até dois anos, além das longas filas de espera.

Os pesquisadores acreditam que os cães-guia robóticos podem ajudar a reduzir essa dificuldade, já que não dependem de reprodução, longos períodos de treinamento ou aposentadoria, como acontece com os animais.

Apesar do avanço, o projeto ainda enfrenta desafios. O protótipo atual funciona apenas em ambientes internos previamente mapeados. Agora, a equipe quer ampliar a autonomia do robô e prepará-lo para circular em ambientes externos, enfrentando calçadas, trânsito, semáforos e multidões.

Outros centros de pesquisa também trabalham em tecnologias parecidas. Um estudo da Universidade Shanghai Jiao Tong, publicado na revista Nature Machine Intelligence, desenvolveu um sistema capaz de identificar obstáculos e orientar usuários por comandos de voz, mostrando avanços importantes em navegação assistida.

Mesmo ainda em fase de desenvolvimento, a tecnologia já impressiona. Mais do que apenas guiar pessoas, o robô consegue conversar, explicar o ambiente e tornar a locomoção muito mais interativa e inteligente.

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