Moraes proíbe visitas a Bolsonaro por 30 dias e impede encontro com Javier Milei
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na noite desta sexta-feira (17) a suspensão de todas as visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelos próximos 30 dias. A decisão também proíbe encontros com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições de outubro.
A medida foi tomada poucas horas depois de a defesa de Bolsonaro pedir autorização para que o presidente da Argentina, Javier Milei, pudesse visitá-lo no dia 25 de julho, data da convenção nacional do PL, em São Paulo. Com a decisão, Milei não poderá se encontrar com o ex-presidente durante sua passagem pelo Brasil.
Segundo a determinação, apenas advogados, médicos e fisioterapeutas estão autorizados a entrar na residência de Bolsonaro, em Brasília.
O que Milei pretendia
Semanas antes, Javier Milei havia confirmado presença na convenção do PL e informou que pretendia aproveitar a viagem para visitar Bolsonaro, em um gesto de apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
A comitiva argentina seria formada pelo ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, pela secretária-geral da Presidência, Karina Milei — irmã do presidente argentino —, além de um intérprete.
A defesa de Bolsonaro argumentou que o encontro teria caráter institucional e diplomático e que não comprometeria o cumprimento das medidas cautelares impostas ao ex-presidente. No entanto, Alexandre de Moraes rejeitou o pedido.
Visitas a Lula durante a prisão
A decisão também reacendeu comparações com o período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve preso em Curitiba, entre 2018 e 2019.
Durante os 580 dias de prisão, Lula recebeu visitas de diversas lideranças políticas brasileiras e estrangeiras. Entre elas, o ex-presidente do Uruguai, José Mujica, que esteve na sede da Polícia Federal e fez declarações públicas de apoio após o encontro.
Fernando Haddad, então candidato do PT à Presidência da República, visitou Lula 21 vezes durante a campanha eleitoral de 2018 e afirmou à imprensa que recebeu orientações políticas do ex-presidente. O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, também esteve com Lula durante o período em que ele permaneceu preso.
De acordo com o texto, essas visitas ocorreram sem que houvesse restrições judiciais que impedissem os encontros.

