Base de Lula no Senado se divide sobre Alexandre de Moraes após novas denúncias
A base aliada do presidente Lula (PT) no Senado Federal começa a apresentar divergências em relação ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Parlamentares que anteriormente defendiam o magistrado agora adotam uma postura mais cautelosa ou passaram a apoiar pedidos de impeachment.
A mudança de postura ganhou força após a quebra do sigilo de mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, do Banco Master. Os diálogos divulgados e a existência de um contrato de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, aumentaram a pressão política sobre o magistrado.
Os registros também apontariam para o acesso a regalias e pedidos feitos pelo banqueiro pouco antes de sua prisão, em 2025. Com a divulgação dos novos fatos, as críticas a Moraes deixaram de se concentrar apenas em questões relacionadas à liberdade de expressão e passaram a envolver suspeitas de natureza financeira e ética.
No Senado, as reações estão divididas entre o silêncio e o apoio ao afastamento do ministro. Pelo menos quatro senadores que haviam demonstrado apoio a Moraes em 2024 não se manifestaram publicamente diante das novas denúncias: Beto Faro (PT-PA), Fabiano Contarato (PT-ES), Teresa Leitão (PT-PE) e Marcelo Castro (MDB-PI).
Por outro lado, integrantes da base governista passaram a defender uma postura mais dura. Entre eles estão Chico Rodrigues (PSB-RR), Leila Barros (PDT-DF) e Flávio Arns (PSB-PR), que mudaram ou endureceram suas posições em relação ao ministro.
Chico Rodrigues afirmou que a gravidade das acusações divulgadas pela imprensa exige uma resposta firme do Congresso. Segundo o senador, nenhuma autoridade deve estar acima da lei.
“É preciso coragem cívica para assinar esse pedido”, afirmou o parlamentar.
Analistas políticos avaliam que o foco da crise envolvendo Moraes também mudou. Antes, as principais críticas estavam relacionadas à atuação do ministro em processos envolvendo redes sociais e liberdade de expressão. Agora, as suspeitas financeiras e questões éticas ampliaram o desgaste político e dificultam a defesa pública do magistrado por parte de seus aliados.
A proximidade das eleições de 2026 também pode influenciar a postura dos parlamentares. Com a disputa eleitoral se aproximando, senadores precisam considerar como suas decisões podem repercutir entre os eleitores.
Nesse cenário, o silêncio de antigos aliados e a mudança de posicionamento de alguns parlamentares podem representar uma tentativa de reduzir o desgaste político e preservar suas chances de permanecer no Congresso Nacional.


