O salário mínimo nacional está projetado para subir dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.741 em 2027. A estimativa foi anunciada nesta segunda-feira (24) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e será incluída na proposta orçamentária que o governo federal encaminhará ao Congresso Nacional.
Se confirmada, a mudança representará um acréscimo nominal de R$ 120, equivalente a aproximadamente 7,4% sobre o piso vigente em 2026. O valor também ficou R$ 24 acima da previsão anterior, que apontava um salário mínimo de R$ 1.717 para o próximo ano.
Valor ainda é uma projeção
Apesar do anúncio, os R$ 1.741 ainda não correspondem ao valor definitivo. O cálculo dependerá do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses até novembro de 2026. Por isso, a quantia poderá ser revisada antes de entrar em vigor, previsto para janeiro de 2027.
A nova estimativa considera inflação projetada de 4,93%, pressionada, entre outros fatores, pela possibilidade de efeitos do El Niño sobre os preços dos alimentos. A política de valorização do piso combina a reposição da inflação com o crescimento da economia de dois anos antes. Para 2027, entra no cálculo a expansão de 2,3% do Produto Interno Bruto registrada em 2025.
O ganho acima da inflação está sujeito ao limite estabelecido pelo arcabouço fiscal. Como o crescimento do PIB considerado foi de 2,3%, esse percentual deverá compor a parcela de aumento real, caso os parâmetros sejam mantidos até a definição final.
Aposentadorias e benefícios também serão afetados
O reajuste não se limita aos trabalhadores que recebem o piso. O salário mínimo é utilizado como referência para aposentadorias e pensões do INSS, Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas), parcela mínima do seguro-desemprego e contribuição previdenciária paga pelos microempreendedores individuais (MEIs).
Durigan afirmou que o governo manterá a vinculação dos benefícios ao salário mínimo. Como cerca de 45% dos pagamentos do Regime Geral de Previdência Social acompanham o piso, qualquer alteração também produz impacto direto nas despesas obrigatórias da União.
Proposta será enviada ao Congresso
A proposta do Orçamento de 2027 foi fechada após reunião da equipe econômica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O projeto deverá ser encaminhado ao Congresso Nacional até 31 de agosto, quando deputados e senadores iniciarão a análise das receitas, despesas e prioridades previstas para o próximo ano.
A equipe econômica ainda deverá apresentar os cálculos detalhados sobre o efeito do novo piso nas contas públicas. Até a confirmação do INPC de novembro e a publicação do valor oficial, o montante de R$ 1.741 deve ser tratado como estimativa orçamentária.
Com informações do UOL Economia e do Ministério do Trabalho e Emprego.
