Lula muda de posição sobre as bets e anuncia proibição em meio ao período eleitoral
O governo do presidente Lula (PT) anunciou nesta sexta-feira (25) uma mudança radical na política para as apostas online no Brasil. O governo decidiu proibir as chamadas bets e os cassinos virtuais, incluindo plataformas associadas a jogos como o “Jogo do Tigrinho”.
A medida será formalizada por meio de uma Medida Provisória (MP). O governo também pretende enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei para endurecer o combate ao mercado ilegal de apostas.
Segundo o anúncio feito pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, a partir de 6 de outubro os sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar. Os apostadores terão até 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores que ainda estiverem nas plataformas.
Da regulamentação à proibição
A decisão chama atenção porque representa uma mudança importante em relação ao caminho adotado pelo próprio governo Lula.
Em dezembro de 2023, Lula sancionou a Lei nº 14.790, que regulamentou as apostas de quota fixa, estabelecendo regras para o funcionamento das empresas, tributação, publicidade e proteção dos apostadores.
Agora, menos de três anos depois, o mesmo governo anuncia o fim desse mercado.
A mudança de posição ganha ainda mais repercussão por ocorrer a poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026. Reportagens recentes apontam que o combate às bets passou a ocupar espaço importante no discurso político de Lula durante o período eleitoral.
A incoerência que virou combustível para memes
É justamente essa mudança de direção que alimenta as críticas e os memes nas redes sociais.


Primeiro, o governo trabalhou para regulamentar e cobrar impostos das bets. Depois, diante do crescimento das críticas às apostas e dos impactos atribuídos ao setor, passou a defender a proibição.
É uma mudança legítima de política pública? Sim. Governos podem mudar de posição diante de novos fatos e pressões sociais. Mas a pergunta que fica para o eleitor é outra: por que regulamentar primeiro e proibir depois?
A situação lembra outro episódio que também gerou forte reação popular: a chamada “taxa das blusinhas”. Em 2024, o governo Lula sancionou a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50, medida que ficou conhecida popularmente por esse apelido.
A comparação ajuda a explicar por que parte do público enxerga um padrão de governo que, de um lado, cria ou amplia mecanismos de arrecadação e regulamentação e, de outro, posteriormente muda o discurso diante da reação da sociedade.
No caso das bets, a mudança é especialmente simbólica: o mercado que ontem era regulamentado e tributado hoje é apresentado como um problema que precisa ser eliminado.
Em plena reta final do processo eleitoral, a decisão naturalmente desperta questionamentos sobre os motivos e o momento escolhido. A resposta oficial do governo é que as apostas estão causando prejuízos às famílias e que a prioridade agora é combater esse problema. Já os críticos veem na medida uma forte mudança de discurso com evidente impacto político.
No fim, independentemente da posição de cada eleitor, uma coisa é difícil de ignorar: a mudança de rumo foi tão brusca que saiu da política pública para virar combustível de memes nas redes sociais.
Cronograma anunciado pelo governo
- 25 de setembro: publicação da Medida Provisória e início da proibição de novos aportes nas plataformas;
- Até 5 de outubro, às 23h59: prazo para os apostadores retirarem voluntariamente seus valores;
- A partir de 6 de outubro: sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar;
- 7 e 8 de outubro: as bets deverão informar às instituições financeiras os saldos restantes, discriminados por CPF;
- De 9 a 14 de outubro: prazo para os bancos devolverem os valores aos apostadores;
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A partir de 14 de outubro: caso exista algum impedimento para a devolução, a Caixa Econômica Federal deverá receber os recursos e providenciar o pagamento aos apostadores.

