O que levou Alexandre de Moraes a mandar prender Bolsonaro?

JUSTIÇA

Bolsonaro é preso após desrespeitar decisão do STF sobre uso de redes sociais

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso nesta segunda-feira (4) por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão aconteceu porque Bolsonaro desrespeitou, pela segunda vez, uma medida cautelar que o impedia de usar redes sociais.

Segundo Moraes, mesmo sem postar diretamente, Bolsonaro usou os perfis de aliados, incluindo os de seus filhos parlamentares, para divulgar mensagens com ataques ao STF e apoio à interferência estrangeira no Judiciário brasileiro. Para o ministro, isso foi uma forma clara de burlar a decisão da Justiça.

Além disso, Moraes afirmou que Bolsonaro usava discursos e entrevistas como “material pronto” para ser publicado por aliados nas redes sociais, mantendo sua atuação política nas sombras.

No último domingo, apoiadores do ex-presidente fizeram manifestações em várias capitais. Bolsonaro apareceu por vídeo no ato do Rio de Janeiro, transmitido nas redes sociais do filho, senador Flávio Bolsonaro. Em outro momento, o deputado Nikolas Ferreira mostrou uma foto de Bolsonaro em um telão e afirmou que “o STF não manda no Brasil”. Segundo Moraes, isso demonstra a “participação disfarçada” de Bolsonaro.

“Os apoiadores de Bolsonaro e seus filhos usaram falas e aparições do ex-presidente para inflamar os protestos com o objetivo claro de pressionar e intimidar esta Corte Suprema”, escreveu Moraes.

Essa foi a segunda vez que Bolsonaro descumpre as medidas impostas pelo STF. A primeira foi em 18 de julho, quando foi proibido de usar redes sociais diretamente ou por terceiros.

Agora, além da prisão, Moraes autorizou busca e apreensão na casa do ex-presidente. A Polícia Federal apreendeu seu celular. Bolsonaro também está proibido de receber visitas e usar qualquer aparelho de celular.

“A Justiça é cega, mas não é tola”

Em sua decisão, o ministro escreveu, em letras maiúsculas:

“A JUSTIÇA É CEGA, MAS NÃO É TOLA. A JUSTIÇA NÃO PERMITIRÁ QUE UM RÉU A FAÇA DE TOLA, ACHANDO QUE FICARÁ IMPUNE POR TER PODER POLÍTICO E ECONÔMICO. A JUSTIÇA É IGUAL PARA TODOS.”

Moraes já havia alertado a defesa de Bolsonaro

No dia 24 de julho, Moraes já tinha advertido a defesa do ex-presidente, após vídeos de Bolsonaro usando tornozeleira eletrônica serem publicados por parlamentares aliados. Na época, o ministro entendeu que houve descumprimento da medida, mas considerou o caso um episódio isolado.

Ele avisou que um novo desrespeito levaria à prisão imediata — o que acabou acontecendo.

Medidas cautelares impostas a Bolsonaro:

  • Recolhimento domiciliar das 19h às 6h nos dias úteis e o dia todo aos fins de semana e feriados

  • Uso de tornozeleira eletrônica

  • Proibição de receber visitas

  • Proibição de usar celular

  • Proibição de acessar ou se aproximar de embaixadas

  • Proibição de contato com embaixadores ou autoridades estrangeiras

  • Proibição de uso de redes sociais, direta ou indiretamente

Bolsonaro é investigado por tentativa de golpe e atentado à soberania

A prisão de Bolsonaro também faz parte da Ação Penal 2668, onde ele é acusado de liderar uma organização criminosa para tentar desestabilizar o Estado Democrático de Direito.

A Polícia Federal investiga se Bolsonaro e seu filho Eduardo tentaram atrapalhar as investigações, pressionar o Judiciário e influenciar o andamento dos processos. As acusações incluem tentativa de golpe, obstrução de justiça e coação.

Outro ponto grave da investigação é a suspeita de que Bolsonaro tentou envolver governos estrangeiros, principalmente o dos Estados Unidos, para impor sanções ao STF e à Polícia Federal. Isso, segundo o STF, fere diretamente a soberania nacional e a Constituição.

Essa decisão do STF ocorre poucos dias após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar uma taxação de 50% sobre produtos brasileiros, citando o tratamento dado a Bolsonaro como uma “caça às bruxas”. Em 17 de julho, Trump enviou uma carta ao ex-presidente brasileiro, criticando a atuação do STF no processo que apura a tentativa de golpe.