Lula enfrenta desafio para repetir desempenho de 2022
O presidente Lula (PT) foi eleito em 2022, em grande parte, porque conseguiu reduzir a vantagem de Jair Bolsonaro (PL) em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os três Estados são os maiores colégios eleitorais do país e, juntos, representam 39,9% dos eleitores brasileiros.
Para 2026, as pesquisas indicam um cenário parecido. Lula mantém praticamente o mesmo desempenho de 2022 entre os eleitores de São Paulo e apresenta uma pequena melhora no Rio de Janeiro. Em Minas Gerais, porém, aparece com uma leve queda. Na soma dos três Estados, o cenário tende a ficar muito próximo do registrado há quatro anos.

O problema para o petista pode estar em outras regiões do país, principalmente no Nordeste.
Avaliações internas do PT apontam que Lula pode sofrer uma pequena perda de apoio em diferentes partes do Brasil. Se isso acontecer e o presidente apenas repetir em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro a votação obtida em 2022, poderá faltar votos para garantir a vitória no segundo turno.
O peso de SP, MG e RJ
São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro ganharam, no marketing político, o apelido de “Triângulo das Bermudas” da política brasileira. A expressão faz referência ao enorme peso eleitoral desses Estados e à capacidade que eles têm de mudar uma disputa nacional.
Juntos, os três concentram quase 40% dos eleitores do país. Por isso, qualquer mudança significativa nesses Estados pode ter impacto direto no resultado da eleição presidencial.
O Poder360 comparou pesquisas sobre uma possível disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) em 2026 com os resultados das eleições de 2022 e 2018. Os números mostram:
- São Paulo: Flávio aparece 0,17 ponto percentual acima do desempenho de Jair Bolsonaro em 2022, segundo a Quaest. A diferença está dentro da margem de erro.

- Minas Gerais: Flávio aparece 2,15 pontos acima do resultado de seu pai em 2022. A diferença também está dentro da margem de erro, mas aponta para uma possível perda de espaço do PT.

- Rio de Janeiro: Lula aparece 2,78 pontos acima do resultado que teve em 2022. A diferença está dentro da margem de erro e sugere uma possível perda de força do bolsonarismo no Estado.

Nordeste preocupa o PT
Os dados do PoderData mostram que o cenário regional merece atenção. Lula apresenta uma queda no Nordeste, enquanto registra uma melhora no Norte.
O problema é que o Norte possui um eleitorado menor e, portanto, o crescimento nessa região não seria suficiente para compensar uma eventual perda de votos no Nordeste.
Nas demais regiões, o cenário também precisa ser acompanhado de perto, principalmente porque pequenas mudanças podem fazer diferença em uma eleição presidencial apertada.

Lula e a classe média
Durante seu terceiro mandato, Lula também buscou ampliar o diálogo com o eleitorado de classe média.
Entre as medidas estão a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês, a ampliação do Minha Casa, Minha Vida para faixas de renda mais altas e a criação de novas linhas de crédito. O governo também apoia a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1, tema que está em análise no Congresso.
Essas medidas têm impacto principalmente no Sudeste, região que concentra a maior renda do país e também grande parte dos trabalhadores com carteira assinada.
Até o momento, porém, as pesquisas não mostram um crescimento significativo de Lula nessa região em comparação com 2022. O desempenho permanece praticamente estável.
Crise política pode pesar na campanha
Além da economia e das questões sociais, o governo também terá de lidar com notícias negativas que podem influenciar o eleitorado durante a campanha.
Entre elas está a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), que ganhou novos capítulos após a divulgação de mensagens atribuídas ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
O impacto desse episódio sobre a eleição ainda é difícil de medir, mas a crise institucional pode se tornar mais um fator de pressão sobre o governo e sobre a campanha de Lula.
Pesquisas devem ser analisadas com cautela
Os números precisam ser interpretados com cuidado. As diferenças apresentadas em vários Estados estão dentro das margens de erro das pesquisas, o que significa que não é possível afirmar, apenas com esses dados, que houve uma mudança definitiva no comportamento do eleitorado.
Os levantamentos utilizados foram:
- São Paulo: Quaest — BR-04705/2026;
- Minas Gerais: Quaest — BR-09417/2026;
- Rio de Janeiro: Quaest — BR-09705/2026;
- Nacional: PoderData/Aya — BR-04914/2026.
O cenário mostra, portanto, que Lula continua competitivo, mas terá um desafio maior em 2026. Repetir o desempenho de 2022 nos três maiores colégios eleitorais pode não ser suficiente caso o presidente perca apoio em regiões importantes, especialmente no Nordeste.
Em uma eleição que promete ser disputada voto a voto, pequenas mudanças regionais podem definir o resultado nacional.

