Formação de 157 metros é investigada com radar e análises geológicas; resultados ainda não confirmam vestígios da embarcação bíblica.
A busca pela Arca de Noé voltou a despertar curiosidade com o mapeamento de Durupinar, uma formação rochosa de contorno semelhante ao de um barco no leste da Turquia. As investigações procuram explicar sua estrutura e examinar o subsolo, mas ainda não permitem afirmar que a embarcação descrita na Bíblia tenha sido localizada.
Formação lembra um barco e chama atenção há décadas
Situado na província de Ağrı, próximo a Doğubayazıt e à região do monte Ararat, o local ganhou notoriedade após ser identificado em fotografias aéreas em 1959. A organização Noah’s Ark Scans informa que a formação tem aproximadamente 157 metros de comprimento.
A medida se refere à extensão do terreno, e não à altura de uma montanha. O formato alongado alimenta comparações com a narrativa bíblica, embora a semelhança visual, por si só, não determine sua origem.
Radar e amostras ajudam a investigar o subsolo
A pesquisa utiliza radar de penetração no solo, tomografia de resistividade elétrica e mapeamento com LiDAR, além de coleta de amostras. Essas técnicas registram características do terreno e ajudam a orientar as análises de sua composição.
Segundo a Noah’s Ark Scans, levantamentos anteriores indicaram padrões lineares e ângulos no subsolo. Integrantes do projeto interpretam parte desses sinais como possíveis espaços internos. A própria organização, porém, ressalta que os dados são sugestivos e não conclusivos.
O programa de pesquisa de 2026 prevê ampliar a investigação geológica. O objetivo é reunir informações que possam ser examinadas em conjunto, com documentação dos resultados e avaliação científica independente.
Estudo geológico apresenta outra explicação
A hipótese de uma embarcação enfrenta uma interpretação já publicada. Em 1996, Lorence Collins e David Fasold concluíram que a aparência do local poderia ser explicada por camadas rochosas dobradas e processos naturais. Materiais apontados anteriormente como madeira ou peças metálicas foram identificados no estudo como rochas e minerais.
Por isso, os novos levantamentos precisam ser confrontados com a geologia regional e com evidências materiais. Imagens subterrâneas não bastam para identificar os restos de um barco.
Referência a 4.300 anos não é datação comprovppatrvpatroada
A expressão “após 4.300 anos”, presente na notícia que retomou o assunto, está associada a cronologias religiosas do dilúvio. Ela não comprova a idade de uma embarcação encontrada em Durupinar.
O local continua a reunir interesse histórico, religioso e científico. Até que surjam evidências verificáveis de materiais e estruturas construídas, o mapeamento deve ser entendido como uma etapa de investigação, sem confirmação do paradeiro da Arca de Noé.
Com informações da Super Rádio Tupi, do projeto Noah’s Ark Scans e do estudo de Collins e Fasold. Capa: ilustração criada com inteligência artificial.

