Ilustração editorial de formação rochosa semelhante a um barco; pesquisas sobre a Arca de Noé na Turquia

Arca de Noé: mapeamento de formação na Turquia reacende debate

DESTAQUES SBD EXPLICA

Formação de 157 metros é investigada com radar e análises geológicas; resultados ainda não confirmam vestígios da embarcação bíblica.

A busca pela Arca de Noé voltou a despertar curiosidade com o mapeamento de Durupinar, uma formação rochosa de contorno semelhante ao de um barco no leste da Turquia. As investigações procuram explicar sua estrutura e examinar o subsolo, mas ainda não permitem afirmar que a embarcação descrita na Bíblia tenha sido localizada.

Formação lembra um barco e chama atenção há décadas

Situado na província de Ağrı, próximo a Doğubayazıt e à região do monte Ararat, o local ganhou notoriedade após ser identificado em fotografias aéreas em 1959. A organização Noah’s Ark Scans informa que a formação tem aproximadamente 157 metros de comprimento.

A medida se refere à extensão do terreno, e não à altura de uma montanha. O formato alongado alimenta comparações com a narrativa bíblica, embora a semelhança visual, por si só, não determine sua origem.

Foto real da formação de Durupinar, no leste da Turquia, em julho de 2019
Formação de Durupinar em julho de 2019. Foto: Wikkiwooki/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0. Reprodução sem alterações.

Radar e amostras ajudam a investigar o subsolo

A pesquisa utiliza radar de penetração no solo, tomografia de resistividade elétrica e mapeamento com LiDAR, além de coleta de amostras. Essas técnicas registram características do terreno e ajudam a orientar as análises de sua composição.

Segundo a Noah’s Ark Scans, levantamentos anteriores indicaram padrões lineares e ângulos no subsolo. Integrantes do projeto interpretam parte desses sinais como possíveis espaços internos. A própria organização, porém, ressalta que os dados são sugestivos e não conclusivos.

O programa de pesquisa de 2026 prevê ampliar a investigação geológica. O objetivo é reunir informações que possam ser examinadas em conjunto, com documentação dos resultados e avaliação científica independente.

Estudo geológico apresenta outra explicação

A hipótese de uma embarcação enfrenta uma interpretação já publicada. Em 1996, Lorence Collins e David Fasold concluíram que a aparência do local poderia ser explicada por camadas rochosas dobradas e processos naturais. Materiais apontados anteriormente como madeira ou peças metálicas foram identificados no estudo como rochas e minerais.

Por isso, os novos levantamentos precisam ser confrontados com a geologia regional e com evidências materiais. Imagens subterrâneas não bastam para identificar os restos de um barco.

Referência a 4.300 anos não é datação comprovppatrvpatroada

A expressão “após 4.300 anos”, presente na notícia que retomou o assunto, está associada a cronologias religiosas do dilúvio. Ela não comprova a idade de uma embarcação encontrada em Durupinar.

O local continua a reunir interesse histórico, religioso e científico. Até que surjam evidências verificáveis de materiais e estruturas construídas, o mapeamento deve ser entendido como uma etapa de investigação, sem confirmação do paradeiro da Arca de Noé.

Com informações da Super Rádio Tupi, do projeto Noah’s Ark Scans e do estudo de Collins e Fasold. Capa: ilustração criada com inteligência artificial.

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