As eleições deste domingo (4) provocaram derrotas importantes entre alguns dos principais nomes da política brasileira. Renan Calheiros (MDB), Ciro Nogueira (PP), Gleisi Hoffmann (PT), Randolfe Rodrigues (PT), Aécio Neves (PSDB) e Roseana Sarney (MDB) estão entre as lideranças que não conseguiram conquistar as vagas que disputavam no Senado.
Os resultados atingiram diferentes grupos políticos e mostraram que a influência nacional de grandes lideranças nem sempre é suficiente para garantir uma vitória nas disputas estaduais. Ao mesmo tempo, o resultado fortaleceu o PL (Partido Liberal), que conquistou 19 das 54 cadeiras do Senado que estavam em disputa, tornando-se a legenda com maior número de vitórias na renovação da Casa.

Renan Calheiros perde após 32 anos no Senado
Uma das derrotas mais simbólicas aconteceu em Alagoas. Depois de quatro mandatos consecutivos, Renan Calheiros não conseguiu se reeleger e deixará o Senado em 2027, encerrando uma trajetória de 32 anos na Casa.
As duas vagas de Alagoas ficaram com Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB). A família Calheiros também sofreu uma derrota na disputa pelo governo estadual. Renan Filho (MDB) perdeu a eleição para JHC (PSDB).
Ciro Nogueira também fica fora
No Piauí, Ciro Nogueira (PP) não conseguiu renovar o mandato e deixará o Senado após 16 anos. Presidente nacional do Progressistas e uma das principais lideranças do Centrão, Ciro foi ministro da Casa Civil durante o governo Jair Bolsonaro (PL).
Na disputa, foi derrotado por Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD).
Carlos Bolsonaro e Carol de Toni vencem em Santa Catarina
Em Santa Catarina, outra derrota de peso foi a de Esperidião Amin (PP). Com uma longa trajetória política, Amin foi governador de Santa Catarina por duas vezes, prefeito de Florianópolis também por dois mandatos, deputado federal e senador. Em 1994, chegou a disputar a Presidência da República.
As duas vagas ao Senado ficaram com Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, ambos do PL. O resultado representa uma mudança importante dentro da própria direita, com a derrota de uma liderança conservadora tradicional para dois nomes diretamente ligados ao bolsonarismo.
Gleisi Hoffmann fica fora do Senado
No Paraná, Gleisi Hoffmann (PT) também não conseguiu retornar ao Senado. A petista terminou a disputa em quarto lugar. As vagas ficaram com Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo).
Gleisi foi a primeira mulher eleita senadora pelo Paraná, em 2010. Também presidiu o PT nacionalmente, foi ministra-chefe da Casa Civil no governo Dilma Rousseff e ocupou o Ministério das Relações Institucionais no terceiro governo Lula.
Randolfe Rodrigues perde a disputa no Amapá
Outro nome importante do governo que ficou fora do Senado foi Randolfe Rodrigues (PT), líder do governo no Congresso. Senador pelo Amapá desde 2011, ele buscava o terceiro mandato, mas não conseguiu se reeleger.
As duas vagas foram conquistadas por Rayssa Furlan (Podemos) e Lucas Barreto (PSD).
Requião e Beto Richa também são derrotados
As derrotas não ficaram restritas ao Senado. No Paraná, dois ex-governadores também não conseguiram retornar ao cenário político nacional pela Câmara dos Deputados.
Roberto Requião (PDT), que governou o estado por três mandatos e também foi senador e prefeito de Curitiba, não conseguiu se eleger deputado federal.
Beto Richa (PSDB), ex-governador do Paraná por dois mandatos e ex-prefeito de Curitiba, também perdeu a disputa pela Câmara.
Aécio Neves perde no Senado
Em Minas Gerais, o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, também foi derrotado na disputa pelo Senado.
Ex-governador, ex-senador e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aécio disputou a Presidência da República em 2014 e chegou ao segundo turno contra Dilma Rousseff.
Com a derrota, ele deixará o Congresso em 2027, após décadas de atuação na política.
Roseana Sarney também fica fora
No Maranhão, Roseana Sarney (MDB) não conseguiu retornar ao Senado. Filha do ex-presidente José Sarney, ela governou o estado por quatro mandatos e também foi senadora e deputada federal.
Roseana terminou a disputa em terceiro lugar, atrás de Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo).
Derrotas também atingem presidentes do Legislativo
As eleições também trouxeram dificuldades para importantes lideranças que comandam o Congresso Nacional.
No Amapá, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), sofreu um revés político com a derrota de seu aliado Clécio Luís (União Brasil) na disputa pelo governo estadual. Ele perdeu a reeleição para Dr. Furlan (PSD), mesmo contando com uma ampla aliança política.
Na Paraíba, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), conseguiu garantir a própria reeleição, mas viu seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos), perder a disputa pelo Senado.
As duas vagas ficaram com João Azevêdo (PSB) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB).
Embora as derrotas não tenham atingido diretamente os cargos ocupados por Alcolumbre e Hugo Motta em Brasília, elas representam um revés para os projetos políticos das duas lideranças em seus estados.
Mudança na força política
O resultado das eleições mostra uma mudança importante na composição política do país. Nomes tradicionais e lideranças com décadas de atuação foram derrotados, enquanto novas forças, principalmente ligadas ao PL e ao bolsonarismo, conseguiram ampliar seu espaço.
A eleição também deixou uma mensagem clara: ter influência em Brasília, ocupar cargos importantes ou possuir uma longa trajetória política não garante, por si só, a vitória nas urnas.
O fortalecimento do PL no Senado e a derrota de figuras tradicionais de diferentes campos políticos apontam para uma nova correlação de forças no Congresso a partir de 2027.


