O senador Alessandro Vieira (MDB), relator da CPI do Crime Organizado, fez uma declaração forte e que chamou a atenção do país. Segundo ele, o Brasil pode estar perto de viver algo que nunca aconteceu: a prisão de um ministro de tribunal superior.

“Este país já viu presidente preso, ministro preso, senador preso, deputado preso, governador, prefeito e vereador presos. Mas ministro de tribunal superior, ainda não. E me parece que esse momento está chegando”, afirmou o senador durante uma sessão da CPI, realizada nesta terça-feira (9). A reunião contou com a presença do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que hoje ocupa o cargo de ministro da Justiça.
Sem citar nomes, Alessandro Vieira criticou duramente ministros que, segundo ele, agem como se fosse normal aceitar favores pagos pelo crime organizado. A fala foi entendida como uma referência indireta ao ministro José Antônio Dias Toffoli, que em novembro viajou para Lima, no Peru, em um jatinho de um empresário investigado, acompanhado de um advogado ligado a um preso da Operação Compliance Zero.
“O sujeito sabe que é crime organizado, entra no jatinho, faz viagem paga pelo crime organizado, participa de evento de luxo pago pelo crime organizado, se hospeda, come, bebe, tudo bancado pelo crime organizado, e depois volta para Brasília para julgar processos em uma Corte Superior”, disparou o senador.
Para Alessandro Vieira, o crime organizado não está apenas nas ruas ou nas favelas, mas dentro do poder. “Isso não é só bandido armado na favela. Isso é o resultado. O crime organizado de verdade está aqui em Brasília, dentro de gabinetes, escritórios e campanhas políticas”, afirmou. Segundo ele, os três Poderes da República já foram, em algum nível, contaminados por esse esquema.
As declarações acontecem em um momento em que cresce a desconfiança do brasileiro em relação ao Judiciário. Muita gente acredita que decisões importantes estão sendo tomadas com base em interesses políticos e ideológicos, e não apenas na lei. Para boa parte da população, a Justiça parece pesar diferente dependendo de quem está sendo julgado.
Esse sentimento aumenta quando surgem denúncias envolvendo ministros, privilégios e relações suspeitas. Para o cidadão comum, fica a sensação de que a lei é dura para uns e flexível para outros. Tudo isso contribui para a crise de confiança nas instituições e reforça a cobrança por mais transparência, responsabilidade e igualdade diante da Justiça.

