Produtores do Sul da Bahia protestam contra queda no preço do cacau e importações africanas em ato marcado para Ilhéus

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Após um protesto no distrito de Itamarati, em Ibirapitanga, os cacauicultores do sul da Bahia estão se organizando para uma nova e maior mobilização. Produtores rurais e representantes do setor cacaueiro irão realizar uma grande manifestação na próxima quarta-feira (28), no município de Ilhéus, contra a forte queda no preço do cacau e o aumento das importações do fruto vindo de países africanos.

A manifestação tem como objetivo chamar a atenção das autoridades e da sociedade para a necessidade urgente de valorização da produção brasileira, defesa do produtor rural e proteção da produção nacional frente à entrada de cacau estrangeiro, que vem enfraquecendo o mercado interno e colocando em risco milhares de famílias que vivem da cacauicultura.

O ato em Ilhéus é continuidade das mobilizações já realizadas na região. No último domingo (25), produtores de Ibirapitanga interditaram um trecho da BR-101, no distrito de Itamarati, em protesto contra a desvalorização do produto, atribuída à chegada de grandes volumes de cacau africano pelo Porto de Ilhéus.

Segundo os organizadores, o cenário atual tem causado prejuízos graves aos produtores, afetando diretamente a renda de trabalhadores e famílias que dependem do cacau como principal fonte de sustento. Eles afirmam que o crescimento das importações, principalmente de países da África, tem pressionado o mercado brasileiro e derrubado os preços pagos ao produtor local.

Outro ponto que preocupa é a forte oscilação no valor da arroba do cacau. Em 2024, o produto chegou a valores históricos, se aproximando de R$ 1.200, impulsionado pela escassez no mercado internacional e pela alta demanda. Porém, desde então, os preços vêm caindo de forma contínua e acelerada.

Atualmente, em diversas regiões do sul da Bahia, a arroba do cacau está sendo vendida por cerca de R$ 250, uma queda considerada drástica pelos produtores, com impacto direto na economia regional. A mobilização em Ilhéus surge, portanto, como um grito por justiça, valorização da produção brasileira, fortalecimento da agricultura nacional e proteção da cadeia produtiva do cacau frente à concorrência externa.