Do petróleo à pobreza: o colapso econômico da Venezuela em números

ECONOMIA

Durante décadas, a Venezuela foi considerada um dos países mais prósperos da América do Sul. A riqueza vinha principalmente da abundância de recursos naturais e da força da indústria petrolífera. Esse cenário começou a mudar com a adoção de políticas econômicas de orientação socialista durante o governo de Hugo Chávez e se agravou ainda mais sob a gestão de Nicolás Maduro.

Nos anos 2000, o país se beneficiou da alta dos preços das commodities, especialmente do petróleo. Dados do Banco Mundial mostram que o PIB per capita venezuelano saltou de US$ 4.776 em 2000 para US$ 13.646 em 2010, período que marcou o auge do chavismo. No entanto, esse crescimento era sustentado quase exclusivamente pela renda do petróleo.

Por trás dos números positivos, a base da economia já dava sinais de fragilidade. O governo optou por concentrar o controle econômico nas mãos do Estado, promovendo uma ampla onda de nacionalizações. Empresas estratégicas, como a petrolífera PDVSA, além de setores como alimentos, telecomunicações e indústria, passaram para o controle estatal, o que reduziu a eficiência, aumentou a corrupção e afastou investimentos.

A ideia de que o petróleo sustentaria indefinidamente o modelo econômico se mostrou equivocada. Com a queda dos preços internacionais do barril, as falhas da gestão estatal ficaram evidentes. Enquanto outros países avançavam, a Venezuela entrou em um processo de forte regressão econômica.

Entre 2012, ano em que Maduro assumiu o poder, e 2020, o PIB per capita despencou de US$ 12.607 para US$ 1.506. Em menos de uma década, a renda média do venezuelano caiu quase 90%, retornando a níveis semelhantes aos registrados em 1973. Na prática, cerca de 50 anos de avanços econômicos foram perdidos.

A comparação com outros países torna esse declínio ainda mais evidente. Em 1990, a China tinha um PIB per capita equivalente a apenas 13% do venezuelano. Já em 2024, o cenário se inverteu: a renda média chinesa chegou a US$ 13.303, enquanto a da Venezuela ficou em torno de US$ 4.218. O Brasil seguiu trajetória semelhante. Em 1960, o PIB per capita brasileiro era cerca de um terço do venezuelano; hoje, o valor brasileiro supera em mais do dobro o da Venezuela.

Apesar de uma leve recuperação recente em alguns indicadores, o país ainda está muito distante do nível de prosperidade que já teve. Atualmente, a renda média venezuelana corresponde a cerca de um terço do seu melhor momento histórico.

A persistência da crise, mesmo diante de pressões internacionais e sanções externas, evidencia que os problemas da Venezuela são profundos e estruturais. Eles foram construídos ao longo de anos por decisões políticas que enfraqueceram a economia, reduziram a produção e comprometeram de forma duradoura o bem-estar da população.