De Santa Rosa a Pau Brasil: a vida de luta e fé de Amadeu João de Souza mais conhecido como seu Loro

PERSONALIDADES

Seu Loro: um pioneiro que ajudou a escrever a história de Pau Brasil

Seu Loro com seu filho primogênito Zé do Carmo (ex-vereador de Pau Brasil)

A história de vida de Amadeu João de Souza, o eterno seu Loro, se confunde com a própria trajetória de Pau Brasil. Muito antes da emancipação política do município, quando a região ainda era conhecida como Santa Rosa, ele já habitava e desbravava estas terras, ajudando a abrir caminhos para o que viria a ser a cidade de hoje.

Seu Loro foi um dos pioneiros locais, conhecido pelo trabalho duro como serrador, atividade que exigia força, coragem e persistência. Através da labuta diária, ajudou a moldar o território e deixou como herança uma contribuição valiosa para o desenvolvimento do município. Seu nome se eterniza não apenas pela história oficial, mas também pela memória coletiva de um povo que o reconhece como exemplo de luta e dedicação.

Pai de 15 filhos, dos quais três partiram ainda jovens, seu Loro encontrou na força do próprio braço o sustento e o cuidado com a família. Mesmo diante das dificuldades, com humildade e sabedoria, conseguiu formar filhos trabalhadores, alguns alcançando destaque no cenário político local, como Zé do Carmo, Ruy Henrique, Sérgio, Van e Dedeu, que chegaram a ocupar assentos no Legislativo municipal.

Visionário, acreditava no poder da agricultura de subsistência, voltando-se principalmente para o plantio de feijão e mandioca. Apostava na agricultura de ciclo curto, feita sem qualquer tecnologia, apenas com ferramentas manuais como machado, facão, foice e estrovenga. Um verdadeiro cabra macho nordestino, que carregava consigo a garra e a resistência típicas da região.

Apesar do pouco estudo formal, conservava os valores culturais do Nordeste. Amava as festas juninas e foi dono do tradicional Bar Sombra da Tarde, localizado na Rua de Itapetinga. Nos festejos juninos, o espaço se transformava em palco de pura alegria: forró, fogueira, pau de sebo, licor e a presença contagiante de uma comunidade que celebrava unida a verdadeira identidade nordestina.

Outra paixão marcante de seu Loro era a Romaria. Não perdia uma edição e fazia questão de participar das viagens a Bom Jesus da Lapa, muitas vezes nos tradicionais caminhões conhecidos como “pau de arara”. Essa devoção o acompanhou durante toda a vida, sempre como expressão de fé e esperança.

Na última terça-feira (9), seu Loro partiu aos 93 anos, encerrando sua trajetória terrena. Mas sua história e seu legado permanecem vivos, eternizados na memória de Pau Brasil. Reconhecendo o seu valor e importância na construção do município, a Prefeitura Municipal decretou luto oficial de três dias, através do Decreto nº 144/2025.

Foi um grande homem, que viveu épocas distintas, sem jamais perder sua identidade, guardando a fé e cumprindo com dignidade o bom combate.