Crise entre Lula e Israel se agrava com retirada de indicação de diplomata

POLÍTICA

Israel rebaixa relações diplomáticas com o Brasil após recusa de novo embaixador

Israel anunciou, nesta segunda-feira (25), que decidiu rebaixar suas relações diplomáticas com o Brasil. A medida foi tomada depois de o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não aprovar a nomeação do diplomata Gali Dagan como novo embaixador israelense em Brasília.

Crise entre Brasil e Israel

Desde o início do governo Lula, as relações entre os dois países têm sido marcadas por tensão.

  • Israel acusa o Brasil de adotar posições favoráveis ao Hamas.

  • Já Lula critica duramente a atuação israelense na Faixa de Gaza, onde mais de 50 mil pessoas morreram.

O momento mais delicado ocorreu em fevereiro de 2024, quando Lula comparou as ações de Israel em Gaza ao Holocausto. A fala gerou forte reação internacional, e Israel declarou o presidente brasileiro “persona non grata”. Em resposta, Lula retirou o embaixador brasileiro de Tel Aviv, reduzindo o peso da representação diplomática.

Neste ano, o Brasil ainda entrou oficialmente com uma ação na Corte Internacional de Justiça (CIJ), acusando Israel de genocídio.

Decisão de Israel

Segundo nota divulgada pela chancelaria israelense, o governo de Tel Aviv retirou o pedido de aprovação de Gali Dagan, após meses sem resposta do Brasil.

“Após o Brasil, de forma excepcional, não responder ao pedido de agrément do embaixador Dagan, Israel retirou a indicação, e as relações agora serão mantidas em nível diplomático inferior”, informou o Ministério das Relações Exteriores de Israel.

Indicação rejeitada

Em janeiro, Israel havia indicado Gali Dagan, ex-embaixador na Colômbia, para chefiar a embaixada em Brasília. O governo brasileiro, porém, não deu aval à indicação em meio ao distanciamento diplomático e às críticas de Lula sobre a violência contra palestinos em Gaza.

Até o momento, o Itamaraty não comentou a decisão de Israel.