COP30 termina com frustração e críticas após falhas estruturais em Belém

DESTAQUES

Preços abusivos, filas e problemas de infraestrutura geram caos durante a COP30 – Veja abaixo ponto a ponto:

COP30 termina com críticas e problemas estruturais em Belém

A COP30, Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, terminou no sábado (22.nov.2025) com a aprovação do documento final chamado “Mutirão Global”. O resultado, porém, ficou abaixo das expectativas de governos, especialistas e cientistas. Além disso, a conferência realizada em Belém (PA) enfrentou diversos problemas logísticos e contou com a ausência de importantes líderes mundiais.


Crise de hospedagem e preços abusivos

Meses antes do evento, os altos preços das hospedagens geraram polêmica. Hotéis chegaram a cobrar 10 vezes mais do que o normal. Muitos participantes desistiram de ir à conferência por causa dos valores, e até motéis tentaram atrair hóspedes com preços menores, mas a adesão foi baixa.

Para reduzir o impacto da falta de vagas, o governo federal alugou dois navios de cruzeiro por R$ 71,7 milhões, reservando cabines para delegações estrangeiras e brasileiras. Lula e a primeira-dama Janja ficaram no barco Iana 3, trazido de Manaus. O transporte consumiu cerca de 4 mil litros de diesel, o que gerou críticas pela contradição com o discurso ambiental.


Ausência de líderes e problemas no aeroporto

O aeroporto de Belém possui pouco espaço para estacionamento de aviões, o que fez com que muitos presidentes desistissem de participar. Emmanuel Macron esteve na cidade por menos de um dia. Donald Trump, Xi Jinping e Javier Milei não compareceram. Também houve baixa presença de executivos americanos, por medo de retaliação do governo Trump.


Alimentação cara e longas filas

Os preços da alimentação chamaram a atenção:

  • Prato de arroz: R$ 110

  • Café expresso: R$ 25

  • Espetinho de carne: R$ 79

Mesmo com valores altos, houve filas de até uma hora.


Falhas estruturais e falta de organização

Nos primeiros dias houve:

  • Vazamentos e goteiras no centro de mídia devido à chuva

  • Falha no ar-condicionado e grande calor nos pavilhões

  • Falta de água e energia em vários momentos

  • Corredores em obras e espaços inacabados

O chanceler alemão Friedrich Merz criticou a estrutura e afirmou que ficou aliviado ao deixar Belém.


Protestos e segurança

Indígenas e militantes tentaram invadir a área restrita (Zona Azul) no 2º dia, danificando equipamentos e ferindo dois seguranças. No 5º dia, outro bloqueio impediu o acesso ao evento.
As reivindicações incluíam taxação de bilionários e ações mais firmes contra combustíveis fósseis.


Incêndio na área diplomática

Um incêndio no dia 20.nov atingiu os pavilhões da Zona Azul e interrompeu as negociações. Não houve feridos graves.


Outros incidentes

Dois turistas estrangeiros caíram em um bueiro sem tampa perto do terminal de navios, mas foram resgatados sem ferimentos graves.


Frustração com o texto final

O documento aprovado não estabeleceu prazos para o fim dos combustíveis fósseis nem metas para zerar o desmatamento, o que gerou grande frustração. As negociações foram tensas e o encerramento atrasou um dia.

 COP30 – Presidente da COP30 durante plenária de encerramento da 30ª Conferência das Partes (COP30).

O governo brasileiro tentou garantir ao menos ganhos simbólicos com o uso da palavra “mutirão”, como símbolo de esforço coletivo. Porém, o termo não pôde ser traduzido adequadamente para outros idiomas e sua pronúncia foi apontada como difícil.

A fotógrafa da ONU Kiara Worth descreveu a COP30 como “bíblica”, em referência às dificuldades enfrentadas pelos participantes.