Um terço dos brasileiros se declara de direita, enquanto 22% se identificam como de esquerda, segundo pesquisa do Datafolha divulgada na quarta-feira (24.dez.2025). O levantamento ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais, em 113 municípios do país, entre os dias 2 e 4 de dezembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
De acordo com a pesquisa, 17% dos entrevistados se dizem de centro. Outros 11% se identificam como de centro-direita e 7% como centro-esquerda. Já 8% não souberam responder ou preferiram não informar seu posicionamento político.
Quando questionados sobre preferência política em uma escala de 1 a 5 — em que 1 representa apoio a Jair Bolsonaro (PL) e 5 indica simpatia pelo campo petista —, 40% dos entrevistados se disseram petistas, enquanto 34% se declararam bolsonaristas. Outros 18% afirmaram ser neutros, 6% disseram não apoiar nenhum dos dois grupos e 1% não soube responder.
Escolaridade e idade
Entre pessoas com menor escolaridade, 41% se identificam com a direita, 26% com a esquerda e 8% com o centro. O número de pessoas que se dizem de centro aumenta entre aqueles que concluíram o ensino médio (21%) e se mantém próximo entre quem tem ensino superior (20%).
Na faixa etária de 16 a 24 anos, 30% se declaram de centro, 26% de direita e 16% de esquerda. Já entre pessoas com 60 anos ou mais, apenas 9% se posicionam no centro, enquanto 42% se identificam com a direita e 25% com a esquerda.
Religião e voto
Entre os católicos, 36% se identificam com a direita e 24% com a esquerda. Entre os evangélicos, a inclinação à direita é ainda maior: 42% se declaram desse campo político, enquanto apenas 16% se dizem de esquerda.
A pesquisa também analisou a relação entre posicionamento político e voto nas eleições presidenciais de 2022. Entre os entrevistados que se identificam como de esquerda, 9% afirmaram ter votado em Jair Bolsonaro. Já entre os que se dizem de direita, 22% disseram ter votado em Lula.
Ao observar os grupos que se identificam diretamente com os líderes políticos, 5% dos bolsonaristas afirmaram ter votado em Lula em 2022. Entre os petistas, 7% disseram ter votado em Bolsonaro no último pleito presidencial.

Uma contradição em debate
Os dados levantam uma indagação que segue em aberto: se a maioria dos brasileiros se declara de direita ou tem valores conservadores, por que o país é governado atualmente por um presidente que não pertence a esse campo ideológico? E como explicar o avanço de uma agenda progressista em um Brasil que, segundo as próprias pesquisas, se mostra majoritariamente conservador nos costumes e no discurso político?
A resposta pode estar na fragmentação do eleitorado, no peso do centro político, nas alianças eleitorais e, principalmente, na diferença entre identidade ideológica declarada e decisão de voto no momento da eleição. Essa contradição ajuda a explicar por que o cenário político brasileiro segue marcado por polarização, tensões e debates constantes sobre representatividade e rumos do país.

