Brasil cogitou usar taxação das big techs para negociar tarifas dos EUA, mas recuou

POLÍTICA

O governo brasileiro chegou a considerar a possibilidade de usar a taxação das big techs como moeda de troca para tentar barrar as tarifas de 50% que os Estados Unidos querem impor sobre produtos do Brasil. A proposta foi pensada como uma forma de negociação direta com o presidente americano, Donald Trump.

Mas a ideia não avançou. Um dos obstáculos é a posição contrária de Trump à taxação de empresas de tecnologia dos EUA em outros países. Outro ponto é a discordância dentro do próprio governo brasileiro sobre o momento ideal para aplicar essa nova taxa.

Lula defende taxação das big techs

Após o anúncio das tarifas americanas, o presidente Lula reafirmou que o Brasil vai taxar as grandes empresas de tecnologia. Segundo ele, essa medida é uma questão de soberania. Lula também criticou o uso da “liberdade de expressão” como desculpa para espalhar discursos de ódio, preconceito e desinformação nas plataformas digitais.

Mesmo com a proposta brasileira em pauta, o governo ainda não recebeu resposta dos Estados Unidos e tenta negociar antes da entrada em vigor das novas tarifas, prevista para 1º de agosto.

Inspiração europeia gerou atrito

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a proposta de usar a taxação como moeda de troca perdeu força após uma publicação do Departamento de Estado dos EUA na rede social X (antigo Twitter). A postagem criticava a regulamentação europeia das plataformas digitais — justamente o modelo em que o Brasil se baseia para formular sua própria lei.

Na ocasião, a missão da França na ONU postou uma imagem dizendo que “na Europa, todos são livres para se expressar, mas não para espalhar conteúdos ilegais”. Em resposta, o Departamento de Estado americano afirmou que “na Europa, milhares estão sendo condenados por criticar seus próprios governos”.

Esse episódio reforçou a percepção de que incluir a regulamentação das big techs nas negociações poderia parecer uma provocação. Além disso, o governo brasileiro entende que essa regulação é um tema interno e não deve ser usado como moeda de troca em acordos internacionais.

Negociação continua

Até o momento, nenhum acordo foi fechado. O governo Lula continua tentando evitar o tarifaço, mas pode voltar a discutir o tema da taxação das big techs em outro contexto no futuro.