Banco Master paga milhões a ex-presidentes da OAB e caso levanta suspeitas éticas

JUSTIÇA
Felipe Santa Cruz, ex-presidente da OAB

Dados enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado revelam um caso grave que levanta questionamentos sobre ética e responsabilidade. Em 2025, o Banco Master contratou escritórios de advocacia ligados a ex-presidentes da OAB, incluindo o de Felipe Santa Cruz, que recebeu R$ 1,55 milhão da instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro.

De acordo com os documentos, Santa Cruz recebeu dois pagamentos de R$ 776 mil cada, totalizando o valor ao longo do ano. Os repasses fazem parte de uma série de contratos firmados pelo banco com escritórios jurídicos.

O caso chama ainda mais atenção pelo histórico do advogado. Santa Cruz presidiu a OAB entre 2019 e 2022, cargo que exige compromisso com a ética, a transparência e a boa conduta profissional. Após deixar a função, também atuou na gestão do prefeito Eduardo Paes.

Os dados da Receita Federal mostram que o Banco Master destinou cerca de R$ 304,5 milhões a escritórios de advocacia em 2025. Entre os beneficiados está também Marcus Vinicius Furtado Coêlho, outro ex-presidente da OAB, cujo escritório recebeu R$ 27,5 milhões no mesmo período.

Diante desses números, o caso ganha contornos preocupantes. Isso porque envolve profissionais que já ocuparam posições de destaque em uma instituição responsável por zelar pela ética na advocacia. A situação levanta dúvidas sobre possíveis conflitos de interesse e reforça a importância de investigações rigorosas para garantir transparência e responsabilidade no uso de recursos e nas relações entre o setor privado e figuras de grande influência institucional.

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