Lojas Maçônicas cobram ações contra violência e pedem paz em Eunápolis
Três Lojas Maçônicas de Eunápolis divulgaram uma carta pública direcionada ao Governo da Bahia e ao Governo Federal para manifestar preocupação com o avanço da violência e da insegurança no município. O documento é assinado pelas lojas Fraternidade 5 de Novembro, Obreiros de Eunápolis e Templários de Eunápolis.
Na carta, as entidades afirmam que a manifestação tem caráter cívico e apartidário e cobram maior atenção do poder público, presença das autoridades e medidas concretas para enfrentar o cenário de insegurança vivido pela população.
Um dos pontos destacados é o desaparecimento de Antônio Arthur Trevizani Souza, de 18 anos, e Ryan Felipe Silva Santos, de 17. Os dois desapareceram na noite de 18 de setembro, depois de saírem juntos de motocicleta. A Polícia Civil investiga o caso e busca informações que possam ajudar a localizar os jovens. A motocicleta utilizada por eles foi encontrada abandonada em uma área de vegetação no município.
As Lojas Maçônicas manifestaram solidariedade às famílias e pediram atenção das autoridades para que os jovens sejam encontrados e que as circunstâncias do desaparecimento sejam esclarecidas.

Eunápolis entre os municípios com maiores índices de violência
A preocupação das entidades também encontra respaldo nos dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em 2026 com informações referentes a 2025. Segundo o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Eunápolis registrou 85,1 Mortes Violentas Intencionais (MVI) para cada 100 mil habitantes, ficando entre os municípios brasileiros com população superior a 100 mil habitantes que apresentaram as maiores taxas do indicador.
O dado coloca Eunápolis em uma situação que chama a atenção e reforça a necessidade de discutir medidas de prevenção, investigação e combate à criminalidade, além do fortalecimento das políticas de segurança pública.
“Eunápolis não pode se acostumar com a violência”, afirmam as entidades na carta.
Violência afeta toda a cidade
Os efeitos da violência vão muito além das estatísticas. A insegurança atinge diretamente a rotina dos moradores, o comércio e a economia local. Quando as pessoas passam a evitar sair de casa por medo, o movimento nas ruas diminui, comerciantes também são afetados e a sensação de insegurança acaba prejudicando toda a cidade.
Outro problema apontado pela população é a sensação de impunidade diante de crimes que permanecem sem uma resposta considerada satisfatória. Quando crimes não são devidamente esclarecidos e os responsáveis não são identificados e responsabilizados dentro da lei, cresce entre os moradores a sensação de que a violência pode continuar avançando.
O resultado é uma cidade onde muitas pessoas passam a viver com medo, comerciantes enfrentam dificuldades e famílias convivem diariamente com a preocupação com a segurança de seus filhos e parentes.
Diferentes segmentos começam a clamar por paz
Também chama a atenção o fato de que diferentes segmentos da sociedade de Eunápolis estejam começando a se manifestar publicamente e a cobrar respostas diante das situações de violência registradas no município.
O posicionamento das Lojas Maçônicas se soma a uma preocupação que ultrapassa grupos específicos e alcança famílias, comerciantes, trabalhadores e outros setores da sociedade. O pedido central é por paz, segurança, investigação dos crimes e presença efetiva do poder público.
Diante de sucessivos episódios que geram medo e preocupação, cresce a necessidade de que a discussão sobre segurança pública seja tratada como uma prioridade permanente e não apenas como uma resposta após novos casos de violência.
Cobrança aos governos
Na carta, as Lojas Maçônicas pedem ao Governo da Bahia que adote providências dentro de suas atribuições para enfrentar a violência e fortalecer a segurança em Eunápolis. Ao Governo Federal, solicitam apoio e cooperação dentro de suas competências.
No encerramento, as entidades reforçam o pedido de respostas às famílias de pessoas desaparecidas e fazem um apelo direto às autoridades:
“Senhor Governador, Senhor Presidente, olhem por Eunápolis.”
Datado de 23 de setembro de 2026, o documento defende que preservar vidas, localizar pessoas desaparecidas, esclarecer crimes e garantir segurança à população devem permanecer entre as prioridades do poder público.
Mais do que uma manifestação de uma entidade, a carta evidencia um sentimento que começa a ganhar força na cidade: a população quer viver sem medo e pede que a segurança deixe de ser apenas uma promessa e passe a representar ações concretas.

