Movimento faz parte da ampliação das operações antidrogas e antiterrorismo dos Estados Unidos na região; Equador e Colômbia estão entre os países envolvidos na nova estratégia
Os Estados Unidos planejam transferir drones militares MQ-9 Reaper que atualmente operam na África para a América do Sul. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (18) pela CNN, com base em relatos de seis fontes familiarizadas com o planejamento.
A mudança faz parte de uma reorganização dos recursos militares americanos e ocorre em meio à ampliação da cooperação dos Estados Unidos com países latino-americanos em operações contra o narcotráfico e grupos classificados por Washington como terroristas.
Segundo as informações divulgadas, os drones deverão sair do comando militar responsável pelas operações americanas na África e passar para o Comando Sul dos Estados Unidos, responsável pela América do Sul e parte do Caribe.
Ainda não foi informado quantos equipamentos serão transferidos. Uma das fontes citadas pela CNN afirmou que a mudança poderá envolver a maior parte dos MQ-9 atualmente vinculados ao comando americano na África.
Equador pode receber parte dos equipamentos
O Equador aparece entre os possíveis destinos dos equipamentos. O país já vem ampliando a cooperação militar com Washington e realizando operações conjuntas contra organizações que os Estados Unidos classificam como terroristas.
Os drones MQ-9 Reaper são utilizados principalmente para missões de inteligência, vigilância e reconhecimento, mas também possuem capacidade para realizar ataques de precisão. A possível transferência, portanto, pode ampliar a capacidade americana de monitorar áreas consideradas estratégicas e apoiar operações militares na região.
O Pentágono ainda não confirmou oficialmente a quantidade de drones que será deslocada nem apresentou um cronograma público para a transferência.
Presença militar dos EUA já havia aumentado no Caribe
A transferência dos drones ocorre depois de uma série de movimentos militares dos Estados Unidos no Caribe e na América Latina.
No ano passado, Washington deslocou drones MQ-9, caças F-35 e pelo menos uma aeronave AC-130 para o Caribe durante operações contra embarcações suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas.
Agora, a estratégia parece avançar também para operações em terra, realizadas em parceria com governos da América do Sul.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, colocou a proteção do território americano e do hemisfério ocidental entre as principais prioridades da estratégia de defesa do governo Donald Trump. Em agosto, ele citou países como Equador, Colômbia, Honduras e Guatemala ao destacar a ampliação da cooperação militar regional.
Colômbia também terá drones Reaper
A Colômbia é outro país que vem estreitando a cooperação militar com os Estados Unidos.
O governo colombiano deverá receber três drones MQ-9A Reaper em regime de empréstimo. Os equipamentos serão utilizados em missões de inteligência, vigilância, reconhecimento e combate ao narcotráfico e a grupos armados organizados.
Além da capacidade de monitoramento, o modelo possui tecnologia que permite realizar ataques de precisão. O eventual emprego ofensivo, porém, depende das regras e autorizações estabelecidas para cada operação.
A cooperação entre Washington e Bogotá ocorre em um momento de maior aproximação militar entre os dois países, embora existam diferenças públicas entre autoridades sobre o alcance das operações conjuntas.
Mudança gera preocupação sobre a África
A transferência dos drones acontece apesar da permanência de grupos extremistas ativos em partes do continente africano.
Organizações como o Estado Islâmico e o al-Shabaab continuam sendo consideradas ameaças pelas autoridades americanas. A retirada de equipamentos da África, portanto, ocorre em meio a questionamentos sobre o impacto que a redução desses recursos poderá ter nas operações realizadas naquele continente.
Segundo as informações divulgadas pela CNN, autoridades americanas avaliam que a proteção do hemisfério ocidental passou a receber maior prioridade dentro da estratégia militar do governo.
Especialistas questionam eficácia da estratégia
O aumento da presença militar americana na América Latina também provoca debates sobre a eficácia do uso de força militar no combate ao narcotráfico.
Uma das principais dificuldades está na capacidade das organizações criminosas de mudar rapidamente suas rotas e métodos de atuação. Dessa forma, a interceptação de embarcações ou a realização de operações específicas pode não ser suficiente para interromper de maneira permanente o fluxo de drogas.
A nova estratégia também levanta questões sobre soberania e sobre as regras que deverão ser seguidas em operações realizadas em território ou águas de países parceiros.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que operações conjuntas precisam levar em consideração as leis de cada país envolvido.
“Quando você conduz uma operação conjunta em águas territoriais, é preciso chegar a um entendimento sobre como essas operações vão ocorrer. E cada um desses países tem suas próprias leis, tem seus próprios sistemas que precisam cumprir. Alguns podem ser mais agressivos do que outros”, afirmou Rubio.
O que muda com a transferência
Caso o plano seja confirmado e executado, a transferência dos MQ-9 Reaper representará uma mudança importante na distribuição dos recursos militares americanos.
Os drones poderão ampliar a capacidade de vigilância sobre áreas utilizadas por organizações criminosas e fornecer informações para operações realizadas pelos Estados Unidos em conjunto com governos latino-americanos.
Ao mesmo tempo, a retirada de equipamentos da África mostra que Washington está reorganizando seus recursos militares de acordo com as prioridades definidas pelo governo Trump.
Por enquanto, porém, o número exato de drones que será transferido, os locais onde serão baseados e o calendário das operações ainda não foram divulgados oficialmente.

