A decisão da Forbes de colocar a apresentadora Angélica no centro da capa da edição 138, que traz a lista das “Mulheres Mais Poderosas do Brasil”, gerou uma onda de críticas nas redes sociais. O motivo: a cientista brasileira Tatiana Sampaio, responsável por uma descoberta promissora na área de lesão medular, não recebeu o destaque principal.
A capa reúne ainda outras três mulheres: Manzar Feres, diretora-geral de Negócios em Publicidade do Grupo Globo; Monique Evelle, empresária e fundadora da startup Inventivos; e a jornalista e apresentadora Ticiana Villas Boas. Todas têm trajetórias relevantes. No entanto, para muitos internautas, o momento histórico vivido pela ciência brasileira exigia outro tipo de reconhecimento.
Logo após a publicação da capa no Instagram, na última sexta-feira (27), os comentários foram dominados por críticas. Diversos usuários afirmaram que Tatiana deveria estar no centro — ou até mesmo sozinha na capa.
“Dra. Tatiana devia estar na frente. Ela merece todos os destaques do mundo”, escreveu uma internauta.
“Com todo respeito às demais, mas essa capa merecia ser somente da Dra. Tatiana Sampaio”, reforçou outra.
Tatiana Sampaio fez história na ciência
Professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desde 1995, Tatiana chefia o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular no Instituto de Ciências Biomédicas. Graduada, mestre em Biofísica e doutora em Ciências pela UFRJ, com pós-doutorado nos Estados Unidos e na Alemanha, ela dedica mais de 25 anos ao estudo da regeneração do sistema nervoso.
Sua principal descoberta, a polilaminina — molécula derivada de uma proteína natural do corpo — pode abrir caminhos para o tratamento de lesões medulares, algo que há décadas desafia a medicina mundial. Em fevereiro de 2026, a Anvisa autorizou o início da Fase 1 de testes clínicos em humanos para avaliar a segurança da substância.
É importante destacar: o tratamento ainda é experimental e não pode ser tratado como cura definitiva. Mas o simples avanço para testes em humanos já representa um marco histórico para a ciência brasileira e para a esperança de milhares de pessoas que vivem com lesão medular.
Tatiana Sampaio não fez sucesso em um palco. Não lançou tendência. Não movimentou a indústria do entretenimento. Ela fez algo maior: ajudou a humanidade a dar um passo à frente na busca pela recuperação de movimentos e qualidade de vida para pessoas que hoje dependem de cadeira de rodas.
A crítica à Forbes
Ao optar por colocar uma figura do entretenimento no centro da capa em um momento tão simbólico para a ciência nacional, a Forbes perdeu a oportunidade de enviar uma mensagem clara sobre o que realmente transforma o mundo.
A escolha editorial pode até ter critérios comerciais ou estratégicos, mas simbolicamente foi um erro. Quando uma cientista brasileira rompe barreiras e coloca o país no mapa das grandes pesquisas internacionais, o mínimo que se espera é o reconhecimento proporcional à grandeza do feito.
Mais do que uma disputa de imagem, a discussão levanta uma reflexão: o Brasil valoriza mais celebridades do que quem dedica a vida à pesquisa científica?
Tatiana Sampaio fez história. E quando a ciência brasileira avança, quem ganha não é apenas uma pesquisadora — é toda a humanidade. Esse tipo de conquista merece o centro da capa, o aplauso e o destaque máximo.
👉📽️ Homenagem de internautas a superpoderosa Tatiana Sampaio, a mulher que pode revolucionar o tratamento de lesão medular: