Com três meses de salários atrasados, trabalhadores da Fundação Hospitalar da Mata Atlântica anunciam greve por tempo indeterminado a partir de 29 de janeiro
O que a região temia se confirmou. A saúde pública de Camacan e região entrou em estado crítico após o anúncio oficial de greve dos trabalhadores do Hospital Osvaldo Valverde, administrado pela Fundação Hospitalar da Mata Atlântica (FHMA). A paralisação, aprovada em assembleia, está prevista para começar à meia-noite do dia 29 de janeiro, por tempo indeterminado, caso não haja regularização dos salários atrasados.
De acordo com comunicado encaminhado pela entidade sindical que representa a categoria, os profissionais acumulam três meses sem receber — referentes aos salários de novembro, dezembro e ao décimo terceiro de 2025 — situação que tornou insustentável a continuidade dos serviços nas condições atuais. Mesmo diante da greve, está garantida a manutenção de 30% do quadro funcional, conforme determina a legislação, para assegurar atendimentos mínimos à população

A decisão expõe um cenário de profundo desgaste humano e social. Trabalhadores relatam dificuldades para honrar compromissos básicos, como pagamento de aluguel, contas de energia e alimentação. Em meio à crise, a indignação aumenta diante de relatos de que apenas parte dos médicos teria recebido, enquanto a maioria da equipe — técnicos, auxiliares e outros profissionais que sustentam o funcionamento diário da unidade — segue sem remuneração.
O hospital é referência para Camacan e municípios vizinhos, o que amplia a gravidade da situação. A paralisação não representa apenas uma reivindicação trabalhista, mas um alerta sobre o risco iminente de colapso do atendimento à saúde em toda a microrregião.O sindicato informou ainda que o comunicado de greve foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho, à Gerência Regional do Trabalho e Emprego e aos órgãos de imprensa, buscando dar transparência ao impasse e pressionar por uma solução imediata.
Enquanto promessas políticas se acumulam, a realidade dos trabalhadores é de mesas vazias e incerteza. A crise da FHMA evidencia falhas de gestão e ausência de respostas efetivas do poder público. Sem uma intervenção urgente, Camacan corre o risco de perder não apenas o funcionamento regular de seu hospital, mas também a dignidade de quem dedica a vida a salvar outras vidas.

