Classe que apoiou majoritariamente o prefeito Robson Venâncio denuncia descumprimento da legislação trabalhista e cobra explicações da Prefeitura após atraso no pagamento de dezembro
O atraso no pagamento do salário referente ao mês de dezembro de 2025 de parte dos servidores públicos concursados do município de Pau Brasil tem gerado forte insatisfação, especialmente entre os professores da rede municipal de ensino. A situação trouxe de volta um problema que não era registrado há mais de uma década: salários pagos fora do prazo legal.
A categoria docente, que esteve entre as que mais apoiaram a atual gestão do prefeito Robson Venâncio, concedendo-lhe um percentual expressivo de votos nas últimas eleições, agora se diz frustrada. À época, promessas de maior valorização e respeito à classe educadora foram amplamente divulgadas durante a campanha. Com o atraso, professores relataram sentimentos de aborrecimento, medo e apreensão diante de compromissos financeiros já assumidos, como financiamentos, boletos bancários e faturas de cartões de crédito. O impacto ultrapassou a esfera econômica, atingindo também aspectos sociais e emocionais dos trabalhadores.
Diante do ocorrido, a coordenadora sindical da APLB, Maria Telma do Nascimento, divulgou uma carta aberta com duras críticas à condução da gestão municipal. No documento, ela relembra que, conforme a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o pagamento dos salários deve ocorrer até o quinto dia útil do mês subsequente ao trabalhado. Dessa forma, a partir do dia 8 de janeiro, a situação já se configurava como atraso salarial, caracterizando violação direta da legislação trabalhista.
A carta destaca ainda que a falta de planejamento e responsabilidade administrativa empurra os professores ao endividamento, expõe a categoria à inadimplência e a constrangimentos perante credores, além de provocar impactos sociais e emocionais profundos, afetando negativamente a qualidade de vida dos trabalhadores. Em tom enfático, a coordenadora sindical afirmou ser inadmissível que uma gestão municipal que se diz comprometida com a educação inicie o ano penalizando exatamente aqueles que sustentam o sistema educacional.
Entre as reivindicações apresentadas pelo sindicato estão o pagamento imediato do salário atrasado referente ao mês de dezembro de 2025, maior transparência da Prefeitura quanto às causas do atraso e um compromisso público e oficial para que situações semelhantes não voltem a ocorrer. Outro ponto que chamou a atenção foi o silêncio das redes sociais oficiais da Prefeitura sobre o assunto. Conhecidos por uma atuação frequente e ativa na divulgação de ações administrativas, os canais institucionais não se manifestaram durante grande parte do dia, comportamento observado de forma negativa por servidores e pela população.
No entanto, ao final do dia, servidores relataram que os pagamentos começaram a ser creditados nas contas, o que trouxe certo alívio momentâneo à categoria. Ainda assim, professores e representantes sindicais reforçam que o episódio deixa marcas e levanta questionamentos sobre planejamento, diálogo institucional e o real compromisso da gestão com a valorização dos profissionais da educação.


