Gestão afirma ter tentado negociar quatro vezes com lideranças da ocupação e reforça que área já está reservada para obras do Minha Casa, Minha Vida
O prefeito de Camacã, Paulo do Gás, comentou publicamente, durante entrevista ao Podvir Podcast, a situação envolvendo a ocupação irregular da área onde será construído um conjunto habitacional do programa Minha Casa, Minha Vida. O espaço, pertencente ao município após desapropriação e regularização fundiária, foi invadido por um grupo liderado por Leandro e outros moradores.
Segundo o prefeito, a área — com aproximadamente 20 mil m² — já havia sido aprovada pela Caixa Econômica Federal para receber 20 unidades habitacionais destinadas a famílias de baixa renda. A obra faz parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e já está em fase de etapas técnicas que exigem terreno livre e vistoria regular.

Durante a entrevista, Paulo relatou que quatro tentativas de negociação foram realizadas com as lideranças da ocupação. O município propôs:
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Destinar 10 das 20 casas à própria comunidade ocupante, desde que respeitados os critérios do programa federal;
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Cadastrar todas as famílias, com apoio da Assistência Social, para identificar quem realmente se enquadra nos requisitos de moradia popular;
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Doar terrenos dentro de critérios legais para outras famílias que comprovassem necessidade real.
Entretanto, segundo o prefeito, o grupo recusou o cadastramento e não aceitou os critérios do programa, insistindo que os próprios ocupantes decidiriam “quem ficaria” na área.
Paulo afirmou ainda que há pessoas na ocupação que já possuem casas, terrenos ou até fazendas, enquanto outras realmente vivem em situação de vulnerabilidade — o que, segundo ele, reforça a importância de critérios técnicos para evitar injustiças e uso político da situação.
Diante da falta de acordo, o prefeito informou que, por decisão judicial, foi concedida liminar de reintegração de posse, que já foi comunicada ao grupo de ocupantes.
Para ele, o objetivo da gestão é “ser justo, não ser insensível”, mas também garantir que o projeto habitacional não seja perdido e que a cidade siga o planejamento urbanístico correto.
“Não posso ocupar um terreno público pensando em deixar para um filho ou neto, e nem permitir que outros façam isso. É preciso justiça com quem realmente precisa”, afirmou o prefeito.

