Lula reafirma que não vai decretar GLO no Rio após megaoperação com mais de 130 mortos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou sua posição contrária à decretação de uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem) no Rio de Janeiro, mesmo após a megaoperação policial que deixou mais de 130 mortos nos complexos do Alemão e da Penha.
Em outubro de 2023, Lula já havia dito que não usaria a medida “enquanto fosse presidente”, ao afirmar que as Forças Armadas não deveriam atuar em confrontos com criminosos.
“Eu não quero as Forças Armadas nas favelas brigando com bandidos. Esse não é o papel delas. E enquanto eu for presidente, não haverá GLO. Fui eleito para governar e vou governar”, declarou na ocasião.
O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), afirmou nesta terça-feira (28.out.2025) que o governo federal negou três pedidos de apoio das Forças Armadas em operações policiais no Estado.
“Disseram que só seria possível com decreto de GLO, mas o presidente é contra. Não temos ajuda das forças federais nem do Ministério da Defesa. O Rio está sozinho”, disse Castro.
O Ministério da Defesa respondeu que um dos pedidos, feito em janeiro, solicitava à Marinha o uso de veículos blindados. A solicitação foi encaminhada à Advocacia-Geral da União (AGU), que informou que o pedido só poderia ser atendido em caso de GLO — o que exige decreto presidencial.
Megaoperação no Rio
A operação Contenção foi deflagrada nesta terça-feira (28.out) nos complexos do Alemão e da Penha, que reúnem 26 comunidades na zona norte do Rio. Segundo a Defensoria Pública do Estado, o número de mortos já passa de 130.
Entre as vítimas estão 60 suspeitos de integrar o Comando Vermelho e quatro policiais, incluindo o delegado Marcus Vinicius, chefe da 53ª DP (Mesquita).
A ação teve como alvo principal a facção Comando Vermelho (CV).

Balanço oficial divulgado na terça-feira (28.out):
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81 presos;
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72 fuzis, 1 pistola, 9 motos e 200 kg de drogas apreendidos.
O governo federal também autorizou a transferência de 10 presos ligados ao Comando Vermelho para presídios federais de segurança máxima. A decisão foi tomada em reunião de emergência no Palácio do Planalto.

