Ranking aponta baixo nível de transparência pública nos municípios do Sul da Bahia

CIDADES

Estudo da Transparência Internacional e Instituto Nossa Ilhéus mostra que nenhuma prefeitura da região alcançou nível “ótimo” em governança; Pau Brasil e cidades vizinhas ainda enfrentam desafios para avançar na gestão transparente

A mais recente edição do Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP 2025), elaborada pelo Instituto Nossa Ilhéus em parceria com a Transparência Internacional – Brasil, revelou um panorama preocupante sobre o nível de transparência e governança das prefeituras do Sul da Bahia.

O levantamento avaliou 78 municípios distribuídos em cinco Territórios de Identidade: Litoral Sul, Baixo Sul, Extremo Sul, Costa do Descobrimento e Médio Rio de Contas. O objetivo é medir o grau de abertura, prestação de contas e integridade das administrações municipais com base em critérios técnicos e metodológicos reconhecidos internacionalmente.

Os resultados mostram que nenhuma prefeitura atingiu o nível “ótimo”, enquanto apenas Floresta Azul, com 64,6 pontos, alcançou classificação “boa”. Os demais municípios de melhor desempenho — Itapitanga, Camacã, Jequié e Ilhéus — obtiveram notas abaixo de 60 e foram enquadrados na categoria “regular”.

📍 Pau Brasil e o contexto regional

No cenário regional, o município de Pau Brasil obteve 32,7 pontos, sendo classificado como “insuficiente”. O desempenho revela avanços pontuais, mas também evidencia grandes desafios estruturais relacionados à divulgação de dados orçamentários, controle interno e participação social.

A nota coloca Pau Brasil abaixo da média regional, estimada em 37 pontos, o que reforça a necessidade de fortalecer mecanismos de transparência ativa — especialmente na publicação de informações sobre licitações, contratos, folha de pagamento e relatórios de gestão fiscal.

Cidades vizinhas como Camacã (52,7) e Itapitanga (58,2) aparecem em posições mais favoráveis, enquanto outros municípios do entorno, como Santa Luzia, Arataca e Mascote, registram desempenhos semelhantes ou inferiores. O resultado indica um padrão de fragilidade institucional ainda persistente no Sul da Bahia, que carece de maior capacitação técnica e compromisso com a gestão aberta.

Tabela: Notas no ITGP 2025 de municípios da região (BA), com destaque para Pau Brasil

Município Pontuação Classificação Observações / tendência*
Floresta Azul 64,6 Bom Única prefeitura da região classificada como “boa”.
Itabuna 47,8 Regular Precisa melhorar, está em 12º lugar no ranking
Camacã 52,7 Regular Mantém desempenho estável e acima da média regional.
Buerarema 49,7 Regular Figura entre os melhores desempenhos de cidades médias.
Ilhéus 50,6 Regular Apresentou leve queda comparada ao ano anterior.
Pau Brasil 32,7 Ruim Situação ainda preocupante, 36º lugar no ranking.

De acordo com a Transparência Internacional – Brasil, a corrupção e a falta de transparência são problemas estruturais e sistêmicos, que comprometem não apenas a governança, mas também a justiça social e o desenvolvimento local.

O relatório destaca que a transparência pública não é apenas um dever legal, mas um instrumento essencial de cidadania e controle social. O ITGP 2025 avaliou também dois recortes temáticos — Adaptação Climática e Saúde — que reforçaram os gargalos na divulgação de informações sobre ações ambientais e gestão do SUS nos municípios baianos.

A Transparência Internacional atua em mais de 100 países por meio de capítulos nacionais e, no Brasil, busca incentivar mudanças sistêmicas, promovendo melhorias institucionais, culturais e comportamentais nas administrações públicas.

Segundo a organização, o desafio dos municípios é transformar os dados em ferramentas de confiança pública, aproximando a sociedade das decisões governamentais e ampliando o acesso à informação.

Os dados do ITGP 2025 confirmam que a transparência ainda é um desafio central para o Sul da Bahia, especialmente em municípios de pequeno e médio porte, como Pau Brasil. No entanto, o índice também serve como alerta e oportunidade, fornecendo subsídios técnicos para que as gestões municipais aprimorem suas práticas, fortaleçam o controle interno e consolidem políticas públicas baseadas em integridade e eficiência.