Nesta quarta (1), ao pôr do sol, milhões de judeus iniciaram o Yom Kippur, o Dia do Perdão – a data mais sagrada do calendário judaico. Durante 25 horas, eles jejuam e buscam expiação pelos erros do ano anterior. É um tempo de reflexão profunda sobre como recomeçar e construir algo melhor.
E se essa tradição milenar inspirasse também a diplomacia internacional? E se o mundo parasse para reconhecer seus erros na condução dos conflitos globais?
A história mostra que soluções impostas raramente trazem paz. O Tratado de Versalhes humilhou a Alemanha e abriu caminho para o nazismo. O Tratado de Trianon fragmentou a Hungria de forma tão dura que o ressentimento dura até hoje. Em ambos os casos, os vencedores impuseram termos unilaterais sem ouvir os derrotados, e o resultado foi instabilidade e novas guerras.
No Oriente Médio, erros semelhantes se repetem. Muitos tentam impor a criação de um Estado palestino sem incluir Israel nas discussões sobre seu próprio futuro. Resoluções são aprovadas sem considerar as necessidades básicas de segurança de um país que enfrenta ameaças existenciais todos os dias.
É importante lembrar que a ausência de um Estado palestino em 1948 não foi resultado de “imposição sionista”, mas da rejeição árabe ao plano de partilha da ONU. Em 1947, os judeus aceitaram a proposta de dois Estados. Os árabes recusaram e escolheram a guerra, tentando destruir Israel já no dia seguinte à sua criação.

O Yom Kippur ensina que o perdão só existe quando há reconhecimento mútuo. Não se constrói paz negando a legitimidade de uma das partes. Quando grupos como o Hamas declaram que querem destruir Israel, inviabilizam qualquer possibilidade real de reconciliação.
A verdadeira coragem está em encarar essas verdades e buscar construir algo melhor. A paz exige que os palestinos reconheçam o direito de Israel existir como Estado judaico, que Israel reconheça as legítimas aspirações palestinas e que a comunidade internacional atue como facilitadora de diálogo – e não como impositor de soluções.
O Yom Kippur termina com o som do shofar, que simboliza renovação e esperança. O mundo também precisa desse momento de pausa para refletir. A paz não pode ser decretada, precisa nascer da verdade, da justiça e do respeito mútuo.
Acreditamos em dois Estados – mas dois Estados que convivam em respeito e entendimento. Essa solução só pode vir do diálogo direto e corajoso, nunca da imposição.
O Dia do Perdão nos lembra que sempre é possível recomeçar. Para Israel, para a Palestina e para o mundo, a redenção ainda pode acontecer. Mas ela só começa com uma palavra simples: perdão – e com a coragem de construir pontes, em vez de erguer muros.

