Brasil fica para trás em acordos com os EUA e pode ser o maior prejudicado
Faltando apenas cinco dias para o fim do prazo dado pelos Estados Unidos, o Brasil continua sem acordo para escapar das novas tarifas comerciais anunciadas pelo governo norte-americano. Enquanto outros países conseguiram negociar reduções nas taxas, o Brasil corre o risco de ser o mais atingido pelo chamado “tarifaço”.
Neste domingo (27), o presidente Donald Trump anunciou um acordo com a União Europeia, após reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na Escócia. Segundo Trump, a UE se comprometeu a comprar US$ 750 bilhões em energia dos EUA e investir outros US$ 600 bilhões no país. Um modelo semelhante ao que já havia sido feito com Japão, China, Reino Unido e outros.

Von der Leyen afirmou que o acordo permitirá equilibrar o comércio entre as duas partes, com tarifas reduzidas e concessões em setores como o automotivo, farmacêutico e agrícola. Tarifas que antes eram de 30% devem cair para 15%.
Também neste domingo, o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, confirmou que a nova rodada de tarifas de Trump entrará em vigor no dia 1º de agosto, sem chance de prorrogação.
O Brasil é, até agora, o país mais prejudicado: Trump anunciou a aplicação de tarifas extras de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados aos EUA. E, diferente dos demais países, o governo brasileiro não conseguiu avançar nas negociações.
Além disso, os EUA abriram uma investigação contra o Brasil, alegando práticas comerciais desleais, incluindo disputas judiciais sobre plataformas digitais. O problema, segundo analistas, vai além da economia. O entrave tem forte caráter político, já que o ex-presidente Jair Bolsonaro ainda é citado como figura de influência, e o atual governo brasileiro parece não conseguir reabrir o diálogo técnico com Washington.
Outros países fecharam acordos rapidamente
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União Europeia: tarifas caíram de 30% para 15%, com abertura de mercado para setores como automotivo e farmacêutico.
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Japão: tarifas de 25% caíram para 15%. O país investirá US$ 550 bilhões nos EUA.
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Reino Unido: tarifas sobre carros, aço, carne e etanol foram reduzidas. Acordo prevê cota para montadoras britânicas.
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China: suspensão mútua de tarifas por 90 dias, podendo ser prorrogada. Redução de impostos em ambos os lados.
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Filipinas, Indonésia e Vietnã: fecharam acordos com tarifas entre 19% e 20%, muito abaixo do que ameaçava os EUA.
O caso brasileiro expõe mais uma vez a falta de habilidade diplomática e técnica do governo federal em lidar com negociações internacionais complexas. Enquanto outros países agiram rapidamente, com equipes preparadas e articulação eficiente, o Brasil ficou paralisado, aparentemente mais preso a questões ideológicas do que a interesses comerciais.

