Eunápolis: Ex diretora de conjunto penal teria recebido R$ 1,5 milhão de facção, diz investigação

JUSTIÇA

A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, 33 anos, foi acusada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) de corrupção, envolvimento com facções criminosas e relacionamento com o detento Ednaldo Pereira de Souza, o “Dadá”, líder de facção. Ela e outras 17 pessoas foram denunciadas por facilitar a fuga em massa de 16 presos em dezembro de 2024 — apenas um fugitivo foi localizado, mas morreu em confronto.

Segundo investigações, Joneuma autorizou regalias ilegais aos presos, como entrada de eletrodomésticos e visitas sem inspeção, além de encontros sigilosos com Dadá. Há suspeita de que ela recebeu R$ 1,5 milhão da facção, o que a defesa nega. Em janeiro, quando foi presa, Joneuma estava grávida; o bebê nasceu prematuro e permanece com ela na cela.

Joneuma também moveu ação judicial contra o ex-deputado federal Uldurico Alencar Pinto, alegando que ele seria pai da criança. O ex-deputado nega envolvimento e afirma querer fazer o teste de DNA. Depoimentos apontam que Uldurico visitava presos sem revista e conversava com líderes de facções.

A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) informou que não compactua com privilégios e colaborou com as investigações. Após atentado em maio contra o novo diretor do presídio, agentes da Força Penal Nacional passaram a atuar na unidade para reforçar a segurança.